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Uma semana fora e dentro de casa

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Após abraço do Aquilles, ao entrar no táxi, as lágrimas vieram com naturalidade. Chorei de uma forma, durante quase todo o trajeto para o aereporto, que minha garganta ficou dolorida – talvez temendo chamar a atenção do taxista, chorei calado. Estava muito ansioso minutos antes de ir embora, mas não esperava sentir tanto. Não sei bem a razão. Meu ser parecia possuído de sentimentos não acompanhados pela minha própria consciência. Então comecei a pensar e percebi algumas coisas. A falta dos meus pais. Depois de alguns anos de casado, pela primeira vez relembrei a minha cama. Não a cama do quarto compartilhada com o meu irmão. A cama do lar. O cuidado diário dos meus pais. A comida prep arada, o quarto arrumado, as roupas passadas, a conversa tarde da noite, o chero antes de dormir e ao acordar, a companhia nos passeios, o cuidado. Voltei a passar um tempo com meus pais, mesmo longe deles. A hospedagem purificou minha alma. Estava cheio das toxinas diárias do trabalho. Há muito tempo n...

Momento de Micheli

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Micheli é uma cadela. Em seus 14 anos já não ouve tão bem e nem tem o mesmo vigor para correr, saltar e latir a todo instante. Em menos de uma semana na casa dos meus adotados avós, Edith e Achiles Chirol, Micheli já tinha um enorme carinho por mim, como se eu fosse de casa. Muito discreta, chegava perto como se querendo carinho. Enfim, uma cadela tranquila, vivia uma rotina sem estripulias ou andanças. Andando de um quarto para outro, de uma sala para outra, dormindo ou deitada sempre em qualquer um destes lugares. Por motivos de trabalho precisei fazer essa viagem ao Rio, ficando hospedado na casa dos Chirol. Envolvido numa rotina de trabalho desde o meio do ano passado, sem férias por causa da mudança de emprego, comecei a sentir os sintomas do estresse, da fadiga do trabalho, principalmente após gravidez da minha esposa e ter sido eleito síndico do condomínio onde moro, ocorridos em meados de fim de ano. Em poucos instantes do dia parava para descansar a minha alma de várias preo...

Querido Amigo

Querido amigo, pode até ser uma tentativa frustrada chamá-lo de amigo porque há muito tempo já não temos mais qualquer convivência. Contudo o amor transcende a própria vivência e nela deposito minha confiança. Há tempos cometi um grande pecado na minha vida e não tive condições para reconhecê-la e evitá-la na época: deixei a nossa amizade. Deixei por preceitos morais e até religiosos que acreditava serem verdadeiros, contudo enxerguei apenas tempos depois serem na verdade muito distante do cristianismo simples, amplo, vivo e essencial. Não fui capaz de perceber. Temendo ferir um amor, divino, acabei matando o nosso, e no fim das contas, contrariando aquele. Ainda lembro a nossa despedida na rodoviária. Até hoje minha família comenta o fato. Na verdade, antes e depois da despedida, já estava vivendo um dos piores momentos da minha vida. Preso por um vício da qual só Deus, acredito, libertou-me. Talvez acabasse não se tornando apenas um momento ou uma fase, se o vício continuasse a progr...

Mais um chaveiro: Aquiles e Edith

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Tenho agora mais um chaveiro e o amor mais uma vez me surpreendeu. De fato, não há um padrão, uma condição, um tempo, uma experiência, uma relação, uma lei ao nosso entendimento para o amor. Basta apenas existirmos. Certo dia, antes do meu casamento, meu pai havia me dado um chaveiro para fazer propaganda de seu escritório. Preferia algo mais discreto e menor. De qualquer forma, juntei com outras coisas realmente importantes: as chaves da minha casa, do meu trabalho e da casa dos meus pais. Então, o chaveiro ficou ali, fazendo mais peso e sem valor algum. Contudo, tenho um amor indescritível pelo meu pai. Talvez, descrevendo o prazer que tenho da presença dele, possa ter uma idéia. Sinto uma “doce agonia”, uma “paz anestesiante” quando o vejo fazendo coisas naturais do dia-a-dia: jogando futebol, falando sobre Direito, das aulas da faculdade... Eu sempre o beijo e o abraço como se acabara de reencontrar a amada perdida de longos anos. Se eu pudesse, “namoraria” meu pai a todo instante...

Despedida de Dudu

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Uma homenagem ao encontro dos amigos na despedida de nosso grande amigo Dudu. Boa viagem para Austrália e seja muito feliz lá! Poesia do Pade Léo para este momento. Nos vitrais estão as cores Nos vitrais estão as cores As formas se diferenciam Cada uma carrega um valor próprio E aquele vitral colorido nos remete a momentos distantes Eles nos trazem a memória encontros e desencontros Sonhos e realidade Alegria e tristeza Ele faz com que a saudade se torne necessária É a beleza que nunca morre! O vitral O amigo Amizade Saudade que faz sentir-nos mais próximos Próximos Até o fim! A distância não é distância senão fronteira Não há fronteira para os vitrais!