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Perdendo a fé...

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Às vezes, é necessário conversar consigo mesmo, e organizar os pensamentos, numa escrita, de modo a tornar mais clara a confusão sentimental e mental. Uma dessas coisas é a dor, na alma, no momento, diante de uma grande multidão de opiniões imprudentes, ao meu redor, em face das calamidades. Não parecer haver, de fato, virtude nas massas. Todos parecem se sentir justos, porque buscam opiniões justas. Ou bons, porque opinam a respeito da bondade. Ou verdadeiros, porque descobriram verdades. Como se tendo o conhecimento do que é uma boa saúde, logo se tornassem saudáveis. Alguns perdem a fé com as próprias adversidades, outros com a desumanidade da multidão diante delas. As primeiras podem ser internas à pessoa ou podem ser distantes, em outro país. As segundas podem ocorrer virtualmente, numa rede social, até dentro de um local de fé, numa igreja, ou em si mesmo. Mas que fé é essa que se perde? Como ela se forma? Pois a primeira perdi há muito tempo, e a segunda também estou pe...

Uma lição ética de Aristóteles: amigos virtuosos não se convidam.

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"Queixas e recriminações ocorrem unicamente ou principalmente nas amizades basadas na utilidade, como é de se esperar. Numa amizade baseada na virtude , cada uma das partes anseia por beneficiar a outra, uma vez que é isso que caracteriza a virtude e a amizade; e na medida em que rivalizam entre si outorgar benefícios e não em os obter, não é possível que surjam queixas ou desentendimentos, visto que ninguém se zanga com aquele que o ama e o beneficia, mas, ao contrário, se é uma pessoa de bons sentimentos, retribuirá com préstimos. E um indivíduo que supera o outro na prestação de benefícios não terá nenhuma queixa de seu amigo, posto que ele obtém o que deseja, e o que todo homem deseja é o bem" (p. 259). "Conclui-se que seria de bom alvitre mantermos nosso interesse quanto a convidar nossos amigos para que compartilhem de nossa boa fortuna (já que é nobre conferir benefícios), mas que devemos relutar em convidá-los para virem até nós no nosso infortúnio (já q...

Uma dor da "perda"

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Existe uma dor da perda que é paradoxal: a pessoa amada está viva mas você não consegue mais desenvolver o mesmo relacionamento, o mesmo prazer. Recentemente fui preenchido de emoção quando um grande amigo restabeleceu um contato comigo. E pelas poucas palavras nos entendemos completamente. A saudade bateu forte da época das lutas, das aventuras, da cumplicidade... Eu o amo muito também. Mas o amor da amizade é preferência, afinidade de cultura, valores, comportamento... Infelizmente... Pois cada um pode seguir uma história política, religiosa, geográfica ou culturalmente diferente e muitas vezes oposta ao do outro. E entendo o afastamento.  Mas a fidelidade ao que foi vivido não pode mudar. É fidelidade.  Assim, mesmo 10, 50 anos depois, estarei sempre com a porta da minha casa, do meu coração aberto, para quem sabe, recomeçar o que ficou atrás, mesmo por alguns minutos. Aos eternos amigos.