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"Uma história sobre o nosso mundo": primeira parte de um conto nosso.

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I – Nem um começo nem um fim E o porco entregou a galinha ao escorpião, com o sentimento de que não era sujo como os outros porcos. A raposa, contudo, olhava fixamente para um ponto distante, enquanto o porco passava bem próximo, a sua frente, como se diante de uma grande atrocidade, profundamente triste, porém incapaz de efetuar qualquer movimento, até mesmo com a própria face - nem mesmo conseguia chegar a uma explicação para tamanha incapacidade. O porco, incomodado por aquele olhar da raposa, após alguns passos, voltou e perguntou: "O que foi? Estou limpo! Não sou como os outros. Eu perguntei. E ele me disse que era incapaz disso.". Levemente a raposa apenas movimentou a cabeça, de cima para baixo, umas duas vezes. O porco, então, após alguns segundos, impacientemente dispara: "Você não é diferente das outras". E antes de ir embora, a raposa respondeu: "Eu não queria, mas vi a lama que você nunca abandonou". O porco expressou o desejo em diz...

Quatro cuidados básicos para não se enganar fácil pelas polêmicas "da Biologia"

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Esse texto era para ser um simples comentário em uma postagem da página Biólogo  no Facebook, a respeito do Criacionismo , mas como ficou longo, então fiz uma formatação aqui. Logo seguem alguns cuidados, especialmente para aqueles que estão tendo contato pela primeira vez com certos "conflitos" ou polêmicas de alguma ciência - nesse caso é o da Biologia. 1. A aculturação se diz "divulgação científica"! Nem toda divulgação científica está preocupada com os dados da observação , mas com a continuidade de um paradigma . Talvez com o tempo ou com experiência de muitas leituras isso fica mais claro ao leigo. Pelo menos, tente ir além da notícia, direto na fonte do artigo, do livro ou do canal de comunicação do cientista. Como a maioria não tem tempo para isso, pelo menos tenha cautela, cobre uma melhor elucidação da crítica ou do conflito, citando claramente as fontes, por exemplo. A Wikipedia , a "fonte" da postagem em questão, está no mesmo nível...

Quine e a tal analiticidade de Leibniz de novo

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Explicação de Leibniz da sua "analiticidade" Lendo "Dois Dogmas do Empirismo" de Quine, novamente me deparo com uma citação crítica a Leibniz semelhante a feita por Russell, que não reflete o pensamento completo do próprio Leibniz (e não precisa ler muito para perceber isso), quanto ao que ele entendia por analiticidade das verdades de razão. Na página 38, Quine diz: - "falou das verdades de razão como verdadeiras em todos os mundos possíveis"; - "não poderíam, em nenhum caso, ser falsas"; - "enunciados cujas negações são autocontraditórias. Mas essa definição tem pouco valor explicativo". Mas Leibniz diz tais enunciados nada falam do mundo ("não diz nada")! A verdade aí não é factual, mas semelhante a resolução de uma equação matemática como "2 + 2 = 4", que no fim resulta numa identidade como "4 = 4", só que seriam noções ou caracteres a serem resolvidos e não símbolos matemáticos. E ninguém ci...

O paradigma do tamanho físico para definir (in)significância

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Em 2013 falei sobre este mesmo tema sob o título "O paradigma da lagarta medíocre". Depois de um tempo como estudante de Filosofia, muita coisa mudou, mas o paradigma do tamanho físico para definir (in)significância continua o mesmo. Para se ter uma ideia dessa mentalidade basta fazer uma busca no Google com "nao somos nada no universo". Uma referência bem popular, nesse sentido, é Nietzsche (1844-1900). Esse filósofo alemão "conta que, num recanto distante do universo, uma estrela tinha um planeta a sua volta. Neste, uma raça de insetos viveu por 1 milhão de anos e criou uma coisa chamada conhecimento, que os insetos tinham em alta conta. Com a morte da estrela, tudo se apagou. E o universo continuou no seu silêncio e na sua indiferença" (PONDÉ, 2014). Segundo o bioquímico americano Behe (1997), a base molecular da vida somente passou a ser eluciada, a partir da década de 1950, com a bioquímica. Antes com Charles Darwin (1809-1882) se pensava a vi...

A moderação entre pais e filhos através do choro

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O choro expressa um sofrimento, desde o parto até a morte. No parto, é a primeira linguagem utilizada pelo ser humano, e comumente é interpretada como um desejo natural em voltar a uma zona de conforto, na qual estava acostumado. E enquanto, não se desenvolve por completo o jogo de sons e palavras, é ainda a linguagem mais utilizada. Nesse estágio, alguns pais, por outro lado, desenvolvem uma habilidade especial em detectar quando o choro é manha ou não. E dependendo do tipo de choro, uma vez preocupados com a moderação do bebê, atendem ou não o desejo "dito" pelo choro - esses pais sabem: moderar é amar . Com o tempo, a complexidade aumenta, mas o princípio de moderação é o mesmo para uma relação efetiva de amor em diferentes momentos da vida . Moderação, aliás, é um dos princípios basilares dos tratados éticos antigos. Vivemos uma época em que os pais já não mais reconhecem o choro dos filhos. Uma das razões, justificam, é que não são mais bebês. O choro, que antes es...

O jogo da comunidade científica, o jogo científico e a velha guerrinha ateu evolucionista x criacionista

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Esta reflexão nasceu hoje pela manhã em função de uma postagem, na qual um amigo me citou. Trata-se do vídeo legendado por Luc Anderssen  (abaixo). Logo não é algo bem refletido e exaustivo. Imagine você diante de duas pessoas jogando um jogo que você não domina as regras, mas tem uma noção vaga das coisas (um leigo). Como todo leigo, você deveria ser cauteloso em não entrar num jogo contra alguém treinado, exceto se o outro tivesse uma postura caridosa em tolerar sua lentidão e derrotas pedagógicas. O treinado ficaria realmente feliz em ter vencido alguém não-treinado? Talvez, diante de outros leigos, para ego próprio e/ou dos amigos. Isso me lembra agora Francis Bacon, tradicionalmente tido como fundador da ciência moderna como a conhecemos (outra histografia vem mostrando que foram certos medievais, mas isso é outra história), que tinha uma preocupação com o progresso geral e não pessoal, como descrito em seu Novum Organum . Alguns trechos: "A verdadeira e legí...

Black Mirror e a miséria humana encoberta

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  Após a primeira temporada de Black Mirror , série da Netflix , lembrei apenas em citar estas duas frases: "Mas todos nós somos como o imundo, e todas as nossas justiças como trapo da imundícia". "Porque não faço o bem que quero, mas o mal que não quero esse faço". Ambas ditas em contextos históricos bem distantes, mas ainda bem atuais.