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Mostrando postagens com o rótulo Aristóteles

Minha alma. Meu refúgio.

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Em meados de 1600, ao olhar para a lua, com o inovador e revolucionário telescópio, Galileu havia exterminado todos os anjos celestes. Desde então restaram apenas os astros celestes. Que impacto um instrumento fez na crença de muitos! Ainda mais quando antes só haviam ruínas da antiga morada do Olimpo. Com o tempo, as pessoas haviam sido convencidas de que suas fantásticas experiências pessoais (incorrigíveis!), com os deuses e daimones, eram aparências, diante da nova e real morada das almas dos santos cristãos, junto aos anjos celestes, ali no terceiro céu. Em meados de 2600, ao olhar para a cérebro do ser humano, com o inovador e revolucionário "psicoscópio", um Nicolelis exterminará todos as almas. E então só restará corpos mentais. A última fronteira do cosmos humano será cruzada. Que impacto um instrumento fará na crença de muitos! Ainda mais quando antes a imaterialidade da alma era a morada de todos os espiritualismos, cristãos ou não. E todas aquelas...

Seja Feliz no Ano Novo, com novas repetir-ações verdadeiras

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Para minha retrospectiva de 2017, gostaria de escolher a palavra "preparação", melhor na forma "pré-para-ação", como ponto principal desta breve reflexão, e do que muito me marcou este ano. Sou fã (da ética) de Aristóteles, especialmente no modo como aplica o conceito de moderação para construir o modelo de pessoa prudente, que é virtuosamente feliz, e habilmente política na comunidade. Há muito a falar sobre isso, mas quero me concentrar em algo implícito na ideia de moderação. Antes de falar do que está implícito, essa ideia infelizmente foi lida por filósofos medievais bem conhecidos, como um ponto fixo mediano, algo (quantitativo) que nem é muito nem pouco. Isso é algo que também herdamos. Às vezes essa ideia se expressa com um dizer como "prefiro me manter numa situação mais ou menos confortável" - é a famosa zona de conforto. A expressão "mais ou menos" aqui é dissimulada: quer passar (na fala) algo bom, sem se preocupar se há (na p...

O jogo do dilema insuperável entre ser um especialista ou um generalista

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Há na mentalidade de muitos o dilema insuperável entre ser um especialista ou um generalista, como se não pudesse ser ao mesmo tempo um especialista e um generalista, ou não pudesse se tornar um bom cientista se fosse um bom filósofo da ciência.  Esse dilema na área de TI, assim como em várias profissões, é bem conhecido: ser especialista ou ser generalista. Há quem coloque que o problema aqui é enxergar isso como uma oposição entre o bem e o mal. Contudo esse é um limite ou extremo do dilema. Acredito que a melhor analogia para esse aparente dilema insuperável é o dilema entre ser honesto ou ser corajoso, colocado pela concorrência de duas comunidades, em que uma você alcança mais (direitos, sucesso etc) pela coragem, e na outra pela honestidade. Ambas são virtudes, e saber do que se trata coragem ou honestidade não te fará repectivamente corajoso ou honesto. É preciso, então, um investimento prático, uma prática habitual ou uma imersão numa comunidade. E como a vida é...

"Qual o método científico desta teologia?"

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"Qual o método científico desta teologia?". Essa deveria ser a primeira pergunta a ser respondida em toda teologia. A primeira razão estaria voltada a ser transparente com o leitor ou com quem quer convencer de sua argumentação, das regras do jogo teológico. E em cima dessa razão, farei uma breve reflexão, ou melhor, agruparei alguns insights a respeito desse problema, logo muita explicação e referência, que seriam necessárias, vão ficar de fora. Assumindo que demonstração é uma argumentação no limite da simplicidade, ao ponto de não haver ambiguidade, entre os próprios termos utilizados, uma das coisas que diminuem a simplicidade é a linguagem ordinária, pois muitas vezes é necessário utilizar passos adicionais para ter segurança no que se está dizendo. Não é sem motivo o surgimento de linguagens artificiais para facilitar o entendimento e tornar a explicação o menos ambígua possível. Vivemos a herança de uma história conturbada na formação da noção de método c...

Quando o físico pensa que é um teórico da ética - II

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Esta é a segunda postagem da série "Quando o físico pensa que é um teórico da ética".  A primeira postagem desta "série" está sob o título "O paradigma do tamanho físico para definir (in)significância" . A pergunta desta imagem ao final é retórica. Não há interesse em saber o que você é, diante dos fatos apresentados, porque a ideia é passar um sentimento ao final de que você é praticamente nada, de tão pequeno ou menor diante de outras coisas. Ou que você é tão insignificante quando olha o quanto se é fisicamente passageiro ou inferior numericamente. O argumento usa um recurso retórico de diminuição e amplificação (isso já estava em Aristóteles, na obra a Retórica, uns 350 a.C.), que pode ser usado em argumentos bem intencionados ou em falácias (mau intencionadas). Ele "brinca" com a quantidade numérica (e provavelmente com o tamanho físico, outra quantidade). Na verdade, a postagem é uma falácia . E podemos evidenciar isso por di...

José Mayer, Aristóteles e a responsabilidade nossa de cada dia

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Caso José Mayer: atrizes saem em defesa de figurinista no ‘Vídeo show’ O  caso José Mayer  particularmente me fez lembrar um problema filosófico relacionado, presente desde a antiguidade, aproximadamente 350 a.C., a partir de Aristóteles, com a  tese da ação humana que é ética , ou melhor, dos  critérios pelos quais alguém é responsável moralmente pelos seus próprios atos . O filósofo desenvolve essa tese na obra "Ética a Nicômaco", obra em questão aqui (há outras, consideradas anteriores, sob o mesmo tema, como a "Ética a Eudemo" e a "Carta Magna"). O que falarei serão alguns pontos relevantes, entre o caso e o problema, de memória, das minhas leituras da obra, sem citação a trechos específicos, sem utilizar necessariamente algum vocabulário técnico filosófico. 1. Aristóteles faz uma distinção entre a responsabilidade não-moral dada a um animal ou a uma criança e a responsabilidade moral dada a um adulto. Ambas responsabilidades são derivad...

Entre a definição de ladrão em Aristóteles e a definição de adúltero em Jesus

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A expressão "em seu coração cometeu" muitas vezes gera confusão, e até má aplicação ética, quando não se sabe bem em que contexto isso se diz. "Por vezes definimos, não o objeto, mas o objeto em condições boas; quando definimos ladrão como o que rouba em segredo; é claro que, sendo assim definido, será o bom ladrão, embora na verdade o ladrão seja, não o que rouba em segredo, mas o que deseja roubar em segredo, que é ladrão" (Aristóteles, Tópicos, VI, 12). "Ouvistes que foi d ito aos antigos: Não cometerás adultério. Eu, porém, vos digo, que qualquer que atentar numa mulher para a cobiçar, já em seu coração cometeu adultério com ela" (Mateus 5:27,28). Muitos apresentam dificuldades em entender essa passagem, como se estivesse afirmando que uma transgressão em potencial ("no coração") estivesse de fato ocorrendo, ampliando assim sua definição. No entanto, Jesus estava posicionando o transgressor ("qualquer"), em seu devido lug...

Alguns breves comentários sobre criança na antiguidade da Grécia

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Provocado por um amigo, que perguntou sobre a infância no grego antigo, resolvi deixar alguns breves comentários de algumas pequenas leituras. No grego, a palavra utilizada para "criança" é "pais" (παῖς, παιδ-), mas é interessante também perceber como sua raiz está ligada não apenas gramaticalmente a outras palavras: paidia , paicso e paideia . Nos tratados éticos de Aristóteles (Ética a Eudemo e Ética a Nicomaco), uma criança se distingue de um adulto por não possuir ainda "prévia escolha", apesar de poder voluntariamente tanto desejar como opinar, mas não de modo deliberativo (BINI, 2015, p. 99), e da mesma maneira voluntária, quanto a agir por apetite ou impulso (ZINGANO, 2008, p. 63). A palavra paidia pode significar um "jogo infantil", mas não um jogo qualquer ou algo "infantilizado", porém um instrumento pedagógico. Um exemplo disso, é o que está presente em um diálogo entre um capitão e um rapsodo: "e Dice...

Breves apontamentos sobre a definição de Aristóteles do princípio mais seguro para não se contradizer (Metaf., Γ, 1005 b 19-22)

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Em Metafísica, livro gama, página 1005, coluna b, linhas 19-22, Aristóteles coloca a seguinte definição: "τὸ γὰρ αὐτὸ ἅμα ὑπάρχειν τε καὶ μὴ ὑπάρχειν ἀδύνατον τῷ αὐτῷ καὶ κατὰ τὸ αὐτό". E acrescenta: "(καὶ ὅσα ἄλλα προσδιορισαίμεθ᾽ ἄν, ἔστω προσδιωρισμένα πρὸς τὰς λογικὰς δυσχερείας)". A primeira frase literalmente seria assim: "pois o mesmo ambos pertencer e não pertencer impossível ao mesmo e sob o mesmo". Essa passagem é muito conhecida como a definição do "princípio da não contradição", porém o seu significado parece não ser o mesmo ou não ter a mesma precisão em todos. Reale (2014, p. 143, 145), por exemplo, a traduz como: "É impossível que a mesma coisa, ao mesmo tempo, pertença e não pertença a uma mesma coisa, segundo o mesmo aspecto (e acrescentem-se também todas as outras determinações que se possam acrescentar para evitar dificuldades de índole dialética)". Já Tugendhat e Wolf (2005, p. 45) a traduzem como: "É i...

Uma lição ética de Aristóteles: amigos virtuosos não se convidam.

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"Queixas e recriminações ocorrem unicamente ou principalmente nas amizades basadas na utilidade, como é de se esperar. Numa amizade baseada na virtude , cada uma das partes anseia por beneficiar a outra, uma vez que é isso que caracteriza a virtude e a amizade; e na medida em que rivalizam entre si outorgar benefícios e não em os obter, não é possível que surjam queixas ou desentendimentos, visto que ninguém se zanga com aquele que o ama e o beneficia, mas, ao contrário, se é uma pessoa de bons sentimentos, retribuirá com préstimos. E um indivíduo que supera o outro na prestação de benefícios não terá nenhuma queixa de seu amigo, posto que ele obtém o que deseja, e o que todo homem deseja é o bem" (p. 259). "Conclui-se que seria de bom alvitre mantermos nosso interesse quanto a convidar nossos amigos para que compartilhem de nossa boa fortuna (já que é nobre conferir benefícios), mas que devemos relutar em convidá-los para virem até nós no nosso infortúnio (já q...

O problema das fontes do livro "Deus é matemático?"

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Estou decepcionado com o livro "Deus é matemático?", do Mario Livio. Até agora, na página 110, fico impressionado com a quantidade de afirmações sem fonte. Sim! Simplesmente sem fonte ou qualquer nota de rodapé (e as que estão no fim do livro não acrescentam nada!).  E quando você lê as notas de cada capítulo, não há fontes para várias afirmações que parecem achismos, especialmente contra Aristóteles e a "favor" de Galileu. A primeiro coisa é detonar Aristóteles como se fosse o grande mal do progresso da ciência matemática (quando na verdade foram os aristotélicos e escolásticos radicais). Ele tenta forçar a essa conclusão mas o leitor atento e que conhece um pouco da importância da Lógica na Ciência, sabe a contribuição essencial de Aristóteles, diante do misticismo de Platão. A segunda coisa é desenhar um Galileu que não condiz com a história mais recente (aquele velho mito forçado de que ele defendia a razão em vez da fé). O cara simplesmente faz...

Uma antiga aula de Química e Biologia em Gênesis

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Segundo Augustus Nicodemus (Lopes, 2004, p. 28), um dos pontos de equilíbrio entre a “divindade e a humanidade das Escrituras” está na linguagem de acomodação. Essa linguagem seria a expressão pelos autores bíblicos “nos termos e dentro do conhecimento disponível naquela época, acomodando a verdade revelada em termos do que sabiam do mundo”.  O autor, então, cita que no “livro de Levítico, se diz que a lebre rumina e que o morcego é uma ave. Sabemos que pelos padrões científicos atuais lebre não ruminam e morcegos não são aves”, justificando que do ponto de vista do observador “todos os animais que mexem com a boca após comer parecem ruminantes e tudo que tem asas e voa parece ave!” (Lopes, 2004, p. 28). Por causa dessa característica de acomodação, a Bíblia é a-científica, não buscando, então, ser científica, como uma fonte de Antropologia, ou mesmo anticientífica, como se fosse motivo para negar as descobertas e avanços científicos.  O que os autores ...

Quando a alma não é a única esperança - parte 1

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Se alguém perguntasse a razão da continuidade da vida após a morte, qual seria provavelmente a resposta? Imortalidade da alma? Homem formado de espírito ou alma? Comunicação com mortos ou desencarnados? Experiências com anjos, fantasmas, espíritos ou divindades? Sentido da vida? Centelha divina? Penso, logo existo? De qualquer forma, a maioria das respostas geralmente é fundamentada numa antropologia cultural religiosa.   Essa antropologia religiosa pode ser encontrada, por exemplo, no Espiritismo Kardecista e no Cristianismo. No primeiro há o seguinte fundamento: "1 – o corpo ou ser material análogo aos animais e animado pelo mesmo princípio vital; 2 – a alma ou ser imaterial, espírito encarnado no corpo; 3 – o laço que prende a alma ao corpo, princípio intermediário entre a matéria e o espírito" [1]. Nessa crença o homem é um corpo, espírito e perispírito. Já no outro há internamente diferentes posições, dependendo da interpretação da Bíblia: corpo, alma e espí...

O que espera para depois? Fim, evolução ou revolução?

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O que você espera da “vida pós-morte”? É apenas uma continuidade do que vivemos? Se sim, então qual a necessidade da morte? Se não, vamos esquecer tudo? Se sim, então qual a necessidade de viver hoje? Muitas perguntas e respostas podem surgir desse tema, do qual só temos crenças. De qualquer forma, é possível fazer uma breve divisão da problemática em fim, evolução e revolução. Isso me ocorreu hoje quando por acaso encontrei a Bíblia aberta em 1 Coríntios 15 e não parei mais de escrever. Espero ser claro.   Existe a crença de que a morte é o fim. Acabou a existência. Não volta mais. Viramos adubo, como muito presente na arte de Augusto dos Anjos.  VERSOS ÍNTIMOS Vês! Ninguém assistiu ao formidável Enterro de tua última quimera. Somente a Ingratidão – esta pantera – Foi tua companheira inseparável! Acostuma-te à lama que te espera! O Homem, que, nesta terra miserável, Mora entre feras, sente inevitável Necessidade de também ser fera. Toma um fósforo. Acende teu cigarro! O be...